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  GRAVATÁ - J. Lira

Rojão de Brasileiro
                      Agosto de 2000

    
 Na Europa é tão diferente...
 Lá não existe vagabundo.
 É coisa do Primeiro Mundo,
 Seu povo vive contente.
 Aqui, sofremos no batente
 E o governo mete a mão
 Na saúde e na educação.
 O povo entra em desespero.
 Danado é ser brasileiro
 Para agüentar este rojão.

 Na França de Napoleão,
 Pátria mãe da liberdade,
 Berço da felicidade.
 Seu povo é de boa formação;
 Soa o francês bem delicadão.
 Nós, é o português quadrado:
 O erro já vem fabricado.
 Mesmo quem sabe é erreiro.
 É o hábito do brasileiro
 Em soletrar este rojão.

 Até mesmo na Inglaterra
 Da princesa Lady Dy Ana,
 A monarquia não se engana.
 Lá não existe os Sem Terra;
 Nunca perdeu uma guerra
 Para qualquer outra nação.
 Aqui, a guerra é entre irmãos;
 Policial é justiceiro...
 O povo não é fuzileiro 
 Prá disparar este rojão.
 
 E nos Estados Unidos
 Da América do Norte,
 Até o dinheiro é mais forte;
 Seu povo é esclarecido.
 Meu povo aqui é consumido
 Com desemprego e inflação, 
 Falcatruas e corrupção.
 Trabalhador não tem dinheiro.
 Difícil é ser brasileiro
 E suportar este rojão.
 
 Se é bom lá no estrangeiro,
 Aqui no Brasil é bem melhor.
 Aqui tem frevo, tem forró,
 Tem samba e roque o ano inteiro
 Só não se ganha dinheiro.
 Mas tem carnaval, tem São João,
 Tem vaquejada de mourão 
 Que festejamos todo ano.
 Bom é ser pernambucano
 E forrozar neste rojão.

 Só não se tem segurança.
 A violência aqui está de mais;
 Filhos não respeitam os pais.
 É um festival de matança.
 Nepotismo, desconfiança,
 Todo mundo mete a mão.
 Rouba até quem não é ladrão,
 Mas só vão presos pobre e preto  
 Porque as putas já dão um jeito
 E corrompem este rojão.

 É município sem prefeito,
 Estado sem governador;
 É Comarca sem promotor,
 Até sem juiz de direito!
 Político pra ser eleito?
 Dá de tudo em ano de eleição:
 Cimento, telha, circo e pão. 
 Promete fazer de tudo...
 O povo lascado e miúdo
 É quem agüenta este rojão.

 No clima bom de Gravatá,
 Sofre o povo à falta dágua;
 Reclama e chora sua mágua,
 Mas na hora certa de lutar,
 Esquece e Leva a caçoar:
 Boata, fala de cachorro e gato;   
 Não faz mal nem a um rato.
 Se for para brigar, nem pense.
 Macho é ser um gravataense
 E conviver neste rojão.
 Nota da redação: 
 
Esta obra de J. Lira foi transcrita do original escrita no ano 2000 com a escassez da
 água em Gravatá. 

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