Na Europa é tão diferente...
Lá não existe vagabundo.
É coisa do Primeiro Mundo,
Seu povo vive contente.
Aqui, sofremos no batente
E o governo mete a mão
Na saúde e na educação.
O povo entra em desespero.
Danado é ser brasileiro
Para agüentar este rojão.
Na França de Napoleão,
Pátria mãe da liberdade,
Berço da felicidade.
Seu povo é de boa formação;
Soa o francês bem delicadão.
Nós, é o português quadrado:
O erro já vem fabricado.
Mesmo quem sabe é erreiro.
É o hábito do brasileiro
Em soletrar este rojão.
Até mesmo na Inglaterra
Da princesa Lady Dy Ana,
A monarquia não se engana.
Lá não existe os Sem Terra;
Nunca perdeu uma guerra
Para qualquer outra nação.
Aqui, a guerra é entre irmãos;
Policial é justiceiro...
O povo não é fuzileiro
Prá disparar este rojão.
E
nos Estados Unidos
Da América do Norte,
Até o dinheiro é mais forte;
Seu povo é esclarecido.
Meu povo aqui é consumido
Com desemprego e inflação,
Falcatruas e corrupção.
Trabalhador não tem dinheiro.
Difícil é ser brasileiro
E suportar este rojão.
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Se é bom lá no
estrangeiro,
Aqui no Brasil é bem melhor.
Aqui tem frevo, tem forró,
Tem samba e roque o ano inteiro
Só não se ganha dinheiro.
Mas tem carnaval, tem São João,
Tem vaquejada de mourão
Que festejamos todo ano.
Bom é ser pernambucano
E forrozar neste rojão.
Só não se tem segurança.
A violência aqui está de mais;
Filhos não respeitam os pais.
É um festival de matança.
Nepotismo, desconfiança,
Todo mundo mete a mão.
Rouba até quem não é ladrão,
Mas só vão presos pobre e
preto
Porque as putas já dão um jeito
E corrompem este rojão.
É município sem prefeito,
Estado sem governador;
É Comarca sem promotor,
Até sem juiz de direito!
Político pra ser eleito?
Dá de tudo em ano de eleição:
Cimento, telha, circo e pão.
Promete fazer de tudo...
O povo lascado e miúdo
É quem agüenta este rojão.
No clima bom de Gravatá,
Sofre o povo à falta dágua;
Reclama e chora sua mágua,
Mas na hora certa de lutar,
Esquece e Leva a caçoar:
Boata, fala de cachorro e gato;
Não faz mal nem a um rato.
Se for para brigar, nem pense.
Macho é ser um gravataense
E conviver neste rojão.
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