Uma
conversa amigável
Com um menino de rua
Sem ter pai e sem ter mãe
Numa vida muito crua
Eu passei a lhe perguntar
e ele a me declarar
quanto é triste a vida sua.
Me tratando de seu Zé
Começou a me falar:
Não tenho pai não tenho mãe
Nem uma casa para morar
Nunca fui em uma escola
E vivo a pedir esmola
pra poder me alimentar.
Quando eu bato em uma porta
querendo arranjar um pão
Gritam logo enfurecidos:
Se é esmola, não tem não!
Eu vivo como bicho
pegando comer no lixo
Fazendo as vezes de cão.
Também tem meus companheiros
Uns roubam, outros pedem esmola
E outros que se dedicam
a fumar e cheirar cola
Mas seu Zé, pra o senhor ver
Coisas ruim pra se aprender
a rua é a melhor escola.
Peço uma esmola, ninguém dar
Vivo assim perambulando
Se limpo o vidro de um carro
algum trocadinho esperando
O dono fica zangado
Nem sequer dar obrigado
E vai logo se afastando.
Que vida triste seu Zé
é a do pobre abandonado
Quando eu vejo tanta riqueza
na mesa de um Deputado
Pra encher suas barrigas
e formarem tantas brigas
Como a TV tem mostrado.
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É
tudo isso seu Zé
que tenho pra lhe dizer
Vou seguir o meu caminho
Que já quer anoitecer
Vou procurar uma calçada
duma casa bem afastada
pra que eu possa adormecer.
Eu peguei um só real
que eu trazia no bolso
Até que me engrandeceu
Dizendo: obrigado seu moço
Agora irei me deitar
E assim que me acordar
Já tenho certo meu almoço.
Ouviram autoridades
Ouviu Senhor Presidente
Senhores Governadores
Com um poder tão potente
Vamos fazer sacrifício
E tirar-mos do precipício
Esse Povo, essa gente.
Tanto dinheiro se gasta
com festas, viagens e banquetes
Com fogos de artifícios
E mesas com ramalhetes
E as crianças coitadas
Nas ruas abandonadas
como bandeiras de enfeites.
Vamos pedir a Deus
o perdão desse pecados
E favorecer aos pobres
Tristes e abandonados
A benção do Pai Eterno
para sair-mos do inferno
e viver-mos juntos sentados.
Decerto não sou seu Zé
E sim Edgar Batista
Que falo com toda franquesa
Nesta vida realista
E vendo a coisa errada
Não podendo fazer nada
Feito galo, baixo a crista.
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