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Barraqueiros resistem a retirada das barracas

 Os barraqueiros da Rua Santo Amaro resistiram
 até a última hora para saírem do local.
 Centenas de curiosos se fixaram nas
 proximidades para testemunhar a resistência
 de cinco barraqueiros que teimavam em não
 sair, desafiando o grupo executor da
 Prefeitura com máquinas, caminhões e
 proteção policial. O Caldo de Cana do Amigão,
 o Salão de Barbeiro União, a Borracharia, a
 Relojoaria São João e a Eletrônica do Pedro, se
 recusaram a retirar os móveis e mercadorias de
 dentro das lojinhas. Com muita pa
ciência, o
 pessoal da Prefeitura se manteve no local,
 aguardando as 11h e 1m, para começar a
 demolição. Não houve violência.
 
 Tradicional caldo de cana do Amigão
 abria às 4h da matina para atender viajantes,
 taxistas e trabalhadores. Foi demolido.
 Esperança
 
Um telefonema de alguém que se dizia
 desembargador do Tribunal de Justiça de
 Pernambuco adiou o início da demolição. Por
 volta das 11:00 horas, o novo advogado
 contratado pelo grupo reacionário chegou ao
 local e exigiu a ordem judicial de demolição
 assinada pela Juíza da Comarca local, já que o
 grupo de Prefeitura estava de posse apenas
 da sentença. E lá se foi o cortejo para o Forum
 o que provocou uma audiência de emergência
 com a titular da Primeira Vara. Se o problema
 era falta de ordem devidamente assinada, a
 nobre juíza deu o ultimado: assinou de imediato
 a execução da demolição. De volta para  o local
 das barracas, o cortejo, tendo à frente o Dr.
 Pedroza (Secretário de Desenvolvimento
 Social) deu prazo até às 12:00 e 1m para a
 retirada dos pertences de cada um. Não houve
 reação dos barraqueiros.
 Sem reação, choro e lágrimas
 

 Por voltas das 12h6m, a patrol demolidora deu
 sua primeira estocada, onde funcionava a
 Eletrônica do Pedro, enquanto os demais
 proprietários salvavam portas, equipamentos e
 mercadorias. Entre os curiosos, familiares dos
 barraqueiros choravam e deixavam rolar suas
 lágrimas sem dizerem uma palavra. Várias
 famílias sobreviviam do movimento no local há
 vários anos.
 Retirada

 Proprietários e populares se apressaram para
 retirar as mercadorias e os equipamentos,
 colocando-os no meio da rua, enquanto a
 patrol se encarregava de apanhar tudo e jogar
 nos caminhões da Prefeitura. Na foto ao lado,
 pneus da borracharia. Na foto abaixo,
 desmanche do Caldo de Cana do Amigão.

 Acordos
 
Segundo o Secretário de Desenvolvimento
 Social, Dr. José Ramos da Cunha Pedroza, os
 barraqueiros firmaram na justiça, dois acordos,
 um de 30 dias para se retirarem em janeiro e
 outro por advogado contratado que lhes
 assegurou  mais 30 dias, até fevereiro. O
 prazo expirou no dia 15 com os barraqueiros
 reagindo com outro advogado contratado no
 Recife. Para a Justiça, a prorrogação
 reacionária seria mera protelação judicial para
 ganhar tempo. A indenização está em
 discussão.

 Retirada das mercadorias e equipamentos do
 Caldo de Cana do Amigão

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